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Jurisprudência

Jurisprudência do TJCE sobre seguro residencial, de condomínio e empresarial

Por Lucas Monteiro de Araújo Magalhães, advogado, OAB/CE 49.312Fortaleza/CE, atuação nacionalAtualizado em 16/10/2026
Resposta diretaNa base verificada deste site há 23 acórdãos do TJCE sobre seguro residencial, de condomínio e empresarial (8 favoráveis ao segurado, 3 em parte e 12 desfavoráveis), quase todos de 2025 e 2026, e 3 decisões do STJ. O tribunal aplica o CDC ao segurado, inclusive à empresa destinatária final, mas não amplia riscos expressamente excluídos ou não contratados. Prescrição de 1 ano e falta de prova do evento exigida pela apólice explicam boa parte das derrotas.

Os números, com honestidade

Dos 23 acórdãos do TJCE, 20 são de 2025 ou 2026. O resultado desfavorável predomina (12 de 23), ao contrário do que ocorre em seguro de celular ou proteção veicular. Isso não significa que o tribunal seja hostil ao segurado: significa que, no seguro de imóvel, a disputa costuma girar em torno do que foi contratado, e a regra de interpretação a favor do consumidor não cria cobertura que não existe. Os temas mais frequentes são incêndio (8), residencial em geral (6), cobertura (4), empresarial (4), vendaval (4), condomínio (3) e prescrição (3).

Lacunas da base: não há acórdão de 2025 ou 2026 de segurado contra seguradora sobre danos elétricos (os casos encontrados eram ações regressivas de seguradoras contra a distribuidora de energia), nem sobre alagamento residencial, furto simples em residência ou seguro de condomínio com condômino como autor.

O que pesa a favor do segurado

O TJCE afasta exigência que não está no contrato. Negar a cobertura de ventania porque o vento não atingiu velocidade mínima, sem previsão contratual, foi considerado indevido.

Favorável ao segurado
TJCE · 6ª Turma Recursal Provisória · Recurso Inominado nº 3001142-09.2023.8.06.0173 · julgado em 20/08/2025

Ventania: exigir velocidade mínima do vento sem previsão no contrato é indevido

A empresa negou a cobertura de danos em seguro residencial porque a ventania não teria atingido determinada velocidade. A Turma observou que essa especificação não estava prevista no contrato e que limitação não prevista não pode ser oposta ao consumidor (art. 54, § 4º, do CDC). Manteve a cobertura e o dano moral.

"CONTRATO DE SEGURO RESIDENCIAL. EMPRESA AFIRMA QUE O EVENTO ESTÁ FORA DA COBERTURA CONTRATUAL PORQUE A VENTANIA NÃO ATINGIU DETERMINADA VELOCIDADE"

Também afasta obstáculos burocráticos: documentos entregues ao gerente do banco valem para a seguradora do mesmo grupo, pela teoria da aparência.

Favorável ao segurado
TJCE · 1ª Câmara de Direito Privado · Apelação Cível nº 0157587-16.2018.8.06.0001 · julgado em 26/08/2026

Incêndio na empresa: documentos entregues ao gerente do banco valem para a seguradora

A seguradora negou a indenização de um seguro empresarial após incêndio alegando falta de documentos. A Câmara aceitou a prova de entrega da documentação ao gerente da agência bancária, integrante da cadeia de fornecimento, pela teoria da aparência. Manteve a indenização securitária e o dano moral à empresa pela resistência reiterada e arbitrária.

"AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO EMPRESARIAL C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. SINISTRO DE INCÊNDIO"

Laudo unilateral de desgaste não supera prova de evento súbito em condomínio.

Favorável ao segurado
TJCE · 3ª Câmara de Direito Privado · Apelação Cível nº 0220998-23.2024.8.06.0001 · julgado em 16/07/2026

Seguro de condomínio: laudo unilateral não prova desgaste e vazamento é indenizado

Um condomínio teve vazamento abrupto no registro de hidrante do sistema de combate a incêndio e a seguradora negou a cobertura alegando desgaste natural ou falta de manutenção. A Câmara aplicou o CDC ao condomínio e exigiu prova inequívoca da cláusula excludente. Considerou que o laudo unilateral não supera os depoimentos sobre evento súbito e reconheceu a cobertura de vazamento de tubulações.

"SEGURO CONDOMINIAL. VAZAMENTO EM SISTEMA DE INCÊNDIO. LAUDO UNILATERAL. CLÁUSULA EXCLUDENTE NÃO COMPROVADA"

Nota fiscal em nome de terceiro não impede a indenização se há prova de posse e uso dos bens.

Favorável ao segurado
TJCE · 2ª Turma do Núcleo de Justiça 4.0 - Direito Privado · Apelação Cível nº 0273687-49.2021.8.06.0001 · julgado em 29/05/2026

Roubo de equipamentos da empresa: nota fiscal em nome de terceiro não afasta o seguro

Uma empresa teve roubados equipamentos essenciais à sua atividade e a seguradora negou a indenização porque as notas fiscais estavam em nome de terceiros. A Turma entendeu que basta demonstrar posse, uso e integração dos bens ao estabelecimento e aplicou o CDC à pessoa jurídica destinatária final. Manteve a indenização limitada ao valor da apólice.

"CONTRATO DE SEGURO EMPRESARIAL. ROUBO DE EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA ATIVIDADE EMPRESARIAL. LEGITIMIDADE ATIVA DA SEGURADA"

E cláusula limitativa é lida a favor do segurado num incêndio por falha elétrica, com condenação direta da seguradora nos limites da apólice.

Favorável em parte
TJCE · 2ª Câmara de Direito Privado · Apelação Cível nº 0197339-58.2019.8.06.0001 · julgado em 27/05/2026

Incêndio por falha elétrica na empresa: cláusula limitativa lida a favor do segurado

O seguro empresarial foi negado após incêndio decorrente de falha elétrica. A Câmara interpretou a cláusula limitativa da forma mais favorável ao consumidor e admitiu a condenação direta da seguradora, nos limites da apólice. Examinou ainda a responsabilidade civil perante terceiro locatário e os lucros cessantes, com provimento parcial do recurso.

"SEGURO EMPRESARIAL. INCÊNDIO DECORRENTE DE FALHA ELÉTRICA. NEGATIVA DE COBERTURA. CLÁUSULA LIMITATIVA"

O que pesa contra o segurado

Risco não contratado: apólice só de conteúdo, só de incêndio, raio e explosão, ou de uma única atividade.

Desfavorável ao segurado
TJCE · 2ª Câmara de Direito Privado · Apelação Cível nº 0220223-76.2022.8.06.0001 · julgado em 20/03/2026

Apólice que cobre só incêndio, raio e explosão não paga dano de vendaval

Uma empresa acionou o seguro após danos causados por vendaval, mas a apólice empresarial tinha apenas a cobertura básica de incêndio, queda de raio e explosão. A Câmara aplicou a interpretação restritiva dos riscos contratados. Não viu ambiguidade nas cláusulas nem falha no dever de informação e manteve a improcedência.

"AÇÃO DE COBRANÇA DE INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. CAPITAL SEGURADO EM CASO DE INCÊNDIO, RAIO OU EXPLOSÃO"
Desfavorável ao segurado
TJCE · 3ª Câmara de Direito Privado · Apelação Cível nº 0133871-91.2017.8.06.0001 · julgado em 24/09/2026

Seguro empresarial só de conteúdo não cobre instalações incorporadas ao imóvel

Uma empresa teve o estabelecimento atingido por incêndio e pediu complemento da indenização por instalações, despesas fixas e dano moral. A Câmara aplicou o CDC à pessoa jurídica destinatária final, mas observou que a apólice cobria só a modalidade conteúdo, sem a cobertura prédio. Negou os pedidos por falta de cobertura e de prova contábil e por não demonstrada ofensa à honra objetiva da empresa.

"AÇÃO DE COBRANÇA DE COMPLEMENTO DE INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA CUMULADA COM REPARAÇÃO DE DANOS"

Falta da prova do evento que a própria apólice exige, como laudo meteorológico para vendaval.

Desfavorável ao segurado
TJCE · 1ª Turma Recursal · Recurso Inominado nº 3000993-78.2025.8.06.0064 · julgado em 26/11/2025

Seguro residencial por ventos exige prova do evento conforme a apólice

A seguradora negou indenização de seguro residencial por falta de prova de danos por ventos, e a sentença extinguiu o caso por suposta complexidade. A Turma anulou a sentença, julgou o mérito e verificou que o contrato exigia laudo meteorológico ou divulgação generalizada do evento. Como as notícias eram de outros municípios ou sem relação com vendaval e as fotos não tinham data, julgou improcedentes os pedidos.

"AÇÃO DE INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA CUMULADA COM DANO MORAL. SEGURO RESIDENCIAL. NEGATIVA DE COBERTURA POR AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE “DANOS POR VENTOS”"

Incêndio intencional provado por perícia, sem indício de autoria de terceiros.

Desfavorável ao segurado
TJCE · 2ª Turma do Núcleo de Justiça 4.0 - Direito Privado · Apelação Cível nº 0274952-52.2022.8.06.0001 · julgado em 16/06/2026

Incêndio doloso sem prova de autoria de terceiros: seguro residencial negado

A perícia concluiu que o incêndio no imóvel segurado foi intencional, com vários focos e uso de acelerante. A Turma observou que não havia indício de entrada de terceiros, como arrombamento ou invasão, e que a tese de autoria por terceiros não passava de conjectura. Manteve a aplicação da cláusula excludente e a improcedência.

"SEGURO RESIDENCIAL. INCÊNDIO DOLOSO. AUSÊNCIA DE PROVA DE AUTORIA POR TERCEIROS. CLÁUSULA EXCLUDENTE DE COBERTURA"

E a prescrição anual, que alcançou até o pedido de dano moral.

Desfavorável ao segurado
TJCE · 2ª Câmara de Direito Privado · Apelação Cível nº 0200564-94.2024.8.06.0071 · julgado em 10/06/2026

Seguro residencial após incêndio: prescrição de um ano alcança também o dano moral

Depois de um incêndio, a seguradora pagou apenas o conteúdo e recusou os danos estruturais por falta de titularidade registral do imóvel. A Câmara manteve a prescrição anual da cobrança securitária. Integrou a sentença para estender a mesma prescrição ao pedido de dano moral fundado no inadimplemento contratual.

"Ação de cobrança de seguro residencial cumulada com reparação por danos morais"
Desfavorável ao segurado
TJCE · 6ª Câmara de Direito Privado · Apelação Cível nº 0002285-29.2019.8.06.0075 · julgado em 04/06/2026

Pagamento a menor reinicia o prazo de um ano: ação tardia está prescrita

Após incêndio, a empresa pediu a indenização em 2017 e recebeu valor menor em novembro daquele ano, mas só ajuizou ação em abril de 2019. A Câmara entendeu que o pedido administrativo suspendeu o prazo e que ele voltou a correr com o pagamento parcial. Manteve a prescrição anual, deferindo apenas a gratuidade à pessoa jurídica.

"AÇÃO DE COBRANÇA. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA À PESSOA JURÍDICA"

Súmulas, temas e o STJ

No regime antigo, a prescrição de 1 ano do Código Civil era suspensa pelo pedido administrativo, conforme a Súmula 229 do STJ, aplicada pelo TJCE para contar o prazo depois de pagamento parcial. Na Lei 15.040, o prazo do segurado conta da recusa expressa e motivada, e a suspensão ocorre uma vez, com o pedido de reconsideração (art. 127).

O PEDIDO DO PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO À SEGURADORA SUSPENDE O PRAZO DE PRESCRIÇÃO ATÉ QUE O SEGURADO TENHA CIÊNCIA DA DECISÃO.

Súmula 229 do STJ, enunciado (STJ). Conferido em 16/10/2026.

O STJ firmou que a seguradora tem o ônus de provar as excludentes de cobertura e que, com o Código Civil de 2002, a indenização por incêndio é o prejuízo real até o limite da apólice. Em 2026, reconheceu que a declaração escrita da seguradora vincula a cobertura desde a data informada.

Favorável em parte
STJ · Terceira Turma · Recurso Especial nº REsp 2.150.776/SP · julgado em 03/09/2024

Seguradora tem o ônus de provar a causa que exclui a cobertura

O caso envolvia cobrança de indenização pela perda total de um equipamento, em relação sem partes vulneráveis. A Terceira Turma, por maioria, aplicou a distribuição estática do ônus da prova do art. 373 do CPC. O autor deve provar a contratação, o pagamento do prêmio e o sinistro, e a seguradora deve provar as causas excludentes de cobertura.

"Nas demandas de indenização securitária deve-se aplicar a regra geral de distribuição estática do ônus da prova, recaindo sobre a seguradora o ônus de comprovar as causas excludentes da cobertura."
Desfavorável ao segurado
STJ · Quarta Turma · Recurso Especial nº REsp 1.955.422/PR · julgado em 14/06/2022

Incêndio com perda total: indenização é o prejuízo real, até o limite da apólice

Em seguro de dano, houve perda total de imóvel por incêndio e discutiu-se se a indenização seria o valor máximo da apólice. A Quarta Turma, por maioria, registrou que, no Código de 1916, a jurisprudência garantia o valor integral da apólice. Com o Código Civil de 2002, prevalece o princípio indenitário, e a indenização corresponde ao efetivo prejuízo no momento do sinistro, até o limite contratado.

"Em caso de perda total do bem segurado, a indenização securitária deve corresponder ao valor do efetivo prejuízo experimentado no momento do sinistro, observado, contudo, o valor máximo previsto na apólice do seguro de dano, nos termos dos arts. 778 e 781 do CC/2002."
Favorável ao segurado
STJ · Terceira Turma · Recurso Especial nº REsp 2.189.140/SP · julgado em 07/04/2026

Declaração da seguradora de que o bem estava coberto vincula desde a data informada

Uma colheitadeira foi destruída em incêndio antes da emissão formal da apólice, mas a seguradora havia declarado por escrito que o bem estava coberto desde data anterior ao sinistro. A Terceira Turma afirmou que a apólice formaliza a obrigação, que nasce do consenso entre as partes. Com base na boa-fé objetiva e na intenção das declarações, reconheceu a cobertura desde a data indicada pela seguradora. O informativo cita também os arts. 56 e 57 da Lei 15.040/2024.

"A declaração da seguradora, ainda que feita posteriormente à emissão formal da apólice, mas que se referia a uma cobertura anterior, deve ser interpretada como início da cobertura, vinculando-a desde a data mencionada na declaração."

Como usar estas decisões

Decisões não garantem resultado: cada apólice tem seu texto e cada caso, sua prova. Use-as para entender o que o tribunal valoriza: contrato claro, prova do evento, recusa motivada e prazo respeitado. As páginas do tema explicam cada situação, a começar pelo hub de seguro residencial e empresarial e pela página de prescrição.

Todas as 26 decisões verificadas do tema

Incendio (7)

Empresarial (4)

Condominio (3)

Prescricao (3)

Vendaval (3)

Residencial (2)

Prova (1)

Inicio de vigencia (1)

Maquinas (1)

Onus da prova (1)

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Conteúdo de caráter informativo, em conformidade com o Provimento nº 205/2021 da OAB. Não constitui promessa de resultado. Cada caso depende dos documentos e é analisado individualmente.

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